segunda-feira, 22 de maio de 2017

À descoberta do Património do Porto: testemunhos

"Gostei muito da visita de estudo ao Porto. No Museu Nacional da Imprensa, vi  vários cartoons e prelos antigos e utilizamos alguns manualmente. Gostei também da Sé Catedral do Porto e das explicações do professor de História. Explicou-nos que à volta da Sé havia muitas casas, mas destruíram-nas para se ver melhor o monumento. Foi um bom dia e uma boa aprendizagem. Eu nem conhecia o Porto!"
R. Pinto, 6.º D

" Adorei a visita de estudo. Acho que foi pouquíssimo tempo. No museu, gostei muito de imprimir trabalhos nas impressora antigas. Na centro do Porto, gostei dos prédios antigos muito altos e das pontes. Queria que fôssemos mais vezes  ao Porto e conhecer outras cidades." 
C. Silva, 6.º B

"A parte mais engraçada da visita do museu foi a exposição dos cartoons e, sobretudo, sobre o Charlie Chaplin. Quando vimos as pontes do Porto, gostei das explicações que o professor de História deu sobre a ponte Eiffel (ponte D. Maria Pia) e a ponte S. João. Gostei muito da visita e aprendi muitas coisas."
S. Lin, 6.º B

"No museu, adorei as impressões que fizemos nas máquinas minervas com os prelos e também os cartoons. Na parte histórica do Porto, gostei de ver os azulejos da estação S. Bento, a Torre dos Clérigos, o largo da Sé, a ribeira com os barcos a passar. Valeu a pena de ir ao Porto! Gostei muito desta visita de estudo e gostaria que se voltasse a repetir!"
M. Pereira, 6,º D

" No dia 18 de maio, fizemos uma visita de estudo ao Porto. Visitamos o Museu Nacional da Imprensa. Descobrimos prelos antigos (com 300  e 600 anos) para a impressão manual. Havia também uma exposição de cartoons e um deles chamou-me atenção, aquele onde estava representado o Velho e a Morte. Durante a tarde, vimos a antiga Prisão da Relação, a Torre dos Clérigos e a Sé do Porto. Velau a pena porque conheci melhor a cidade do Porto."
C. Oliveira, 6.º D

"Gostei muito da visita  de estudo ao Porto e acho que devíamos repetir mais vezes. Adorei ver trabalhar as impressora e de ver os monumentos e de comer um gelado!"
A. Vasconcelos, 6.º B
"Gostei muito de visitar o museu e a cidade do Porto, a minha favorita!"
N. Cruz, 6.º B

"Na visita de estudo, o que eu mais gostei foi das impressões e dos prelos antigos e de alguns quadros engraçados (cartoons) que transmitiam mensagens. Na cidade, o que mais apreciei foi das pontes, dos prédios antigos e altos e da Torre dos Clérigos. Gostei muito, devia-se repetir mais vezes."
E. Fernandes, 6.º B

"O momento que mais gostei, foi quando descobrimos o Porto. Mas primeiro, fomos ao Museu Nacional da Imprensa onde fizemos impressões que nos servem de recordações. Dpois de tarde, fomos ver muitos monumentos e a Sé Catedral com uma vista espetacular. Quero lá voltar em breve e mais do que uma vez!"
R. Cardoso, 6. D
"Adorei a visita de estudo à cidade do Porto, pois nunca tinha visitado o Museu Nacional da Imprensa e o centro histórico!Gostava de ter visitado o interior da Prisão da Relação (agora Museu da Fotografia) eda Torre dos Clérigos, mas tirando isso, achei a visita muito interessante. Guardei as folhas, ou melhor as impressões que fizemos com os prelos de 300 anos. No fim do almoço, adorei aquela caminhada até à Sé Catedral do Porto... que bela vista! Na exposição de cartoons do museu, o cartoon que mais me chamou a atenção, foi aquele que representava uma fila num aeroporto bloqueada e que impediam os emigrantes de ir para a Europa!"
E. Lima, 6.º D




À descoberta do Património do Porto


Os alunos de sexto ano, acompanhados pelos seus professores, deslocaram-se à cidade do Porto, na passada quinta-feira 18 de maio de 2017, para conhecer o Museu Nacional da Imprensa e o Património Urbano do Porto, cumprindo assim objetivos programáticos das disciplinas de Português, Educação Tecnológica e História e Geografia de Portugal.
No Museu Nacional da Imprensa, os alunos observaram com muito interesse e entusiasmo dezenas de máquinas em funcionamento e peças distribuídas por vários setores, desde da pré-impressão, impressão aos acabamentos, e assim perceberam a evolução da imprensa desde Gutenberg até à atualidade.
Ficaram a conhecer as etapas do trabalho do tipógrafo e a composição manual, base da tipografia e das artes gráficas, com a exposição das diversas colecções de tipos em chumbo e madeira. No setor da impressão, os alunos observaram peças emblemáticas. Uma das mais importantes é um prelo de madeira do séc. XVIII, recuperado e restaurado pelo museu, que se destaca pela sua raridade e imponência. Para concluir esta parte da visita, os alunos tiveram aqui a oportunidade de imprimir manualmente textos e gravuras alusivas às atividades do museu.
Ao sair do museu, os alunos apreciaram os desenhos humorísticos e satíricos da exposição PORTOCARTOON |DIREITOS HUMANOS, LIBERDADE COM HUMOR, SEMPRE! que apresenta os premiados das edições do PortoCartoon-World Festival. Constituída por dezenas de obras, esta mostra de desenhos humorísticos e satíricos abriu com um texto trilingue, em português, inglês e castelhano.
A parte de tarde foi dedicada à visita do Património Urbano do Porto/Património Cultural da Humanidade. Os alunos descobriram (e muitos, pela primeira vez!) o centro histórico e a zona ribeirinha da cidade. Com o apoio do professor de História que forneceu, ao longo do percurso, preciosas informações para compreender as origens e transformações do núcleo histórico. Os alunos demonstraram grande interesse pelos monumentos e um forte entusiasmo pela descoberta da cidade invicta. Os muitos pedidos em prolongar a visita do Porto e em realizar roteiros similares abundaram e comprovaram a satisfação dos alunos!
Para saber mais sobre o museu, consulte:






segunda-feira, 15 de maio de 2017

Encontro com a escritora Margarida Fonseca Santos: opiniões dos alunos de 6.º ano



ENCONTRO ESCRITORA MARGARIDA FONSECA SANTOS

O encontro com Margarida Fonseca Santos agradou-me muito e fiquei a conhecer uma escritora fantástica.
Foi simpática e cativou o seu público, falando sobre si, com histórias inventadas, ou até sobre experiências que ela teve ao longo do tempo. Por exemplo, falou-nos de como trocou a vida de professora de piano pela vida de escritora ou contou-nos sobre um rapaz que a fez chorar de alegria e orgulho, no encontro numa escola.
Esse momento foi muito importante para mim, pois fez-me perceber que, às vezes, os nossos objetivos mudam, mas nunca devemos deixar de lutar pelo que queremos.
Rodrigo J., 6.ºA
Este encontro foi importante para ensinar-nos que ler livros e escrever trazem mais conhecimento e mais interesse pelos outros.
Rúben P., 6.ºD
Eu achei o encontro com a escritora importante, porque me fez pensar sobre vários assuntos, como por exemplo, não ter medo de enfrentar os nossos problemas. Também acrescentou que as suas obras dizem para ter esperança e nunca desistir.
Ricardo C., 6.ºD
Margarida Fonseca Santos, alegre e brincalhona, cativou-me pela maneira como comunicava: expressava-se também com as mãos e fazia mímicas.
Aprendi muito sobre as suas obras, que eu desconhecia, mas agora quero lê-las todas!
Achei importante o encontro com a escritora, pois despertou a nossa atenção para os sentimentos e para a importância da leitura.
Maria Eduarda L., 6.ºD
Eu achei o encontro muito agradável, porque a escritora Margarida Fonseca Santos contou-nos uma história que acompanhou com uns gestos engraçados e palavras simples e concluiu que se pode resolver todos os problemas. Foi muito simpática a responder a todas as perguntas que os alunos lhe fizeram.
O que me deu mais pena foi saber que a escritora tinha uma doença crónica. Também fiquei triste quando contou que uma prima do pai tinha sido torturada, durante a ditadura.
Eu gostei muito de conhecer a autora Margarida Fonseca Santos e, no fim da sessão, comprei o livro “7x25 Histórias da Liberdade”. 
Diogo C., 6.ºB
Este encontro com a autora foi muito bom. Ficamos todos a saber que afinal, nem todos os escritores são sérios e usam palavras caras para mostrar a sua sabedoria. São divertidos e com um ótimo sentido de humor, como nos provou Margarida Fonseca Santos. Neste caso, a escritora interagiu muito bem connosco.
Matilde R., 6.º A
Achei a escritora muito simpática e gostei da forma como respondia às nossas perguntas, pois desenvolvia muito bem as suas respostas, falando um pouco mais além das nossas questões.
Fiquei com curiosidade para ler o seu livro “Bicicleta à chuva”, que apresenta um adolescente que sofria de bullying, porque, eu interesso-me muito por esses assuntos.
Penso que este encontro foi importante para motivar os alunos a ler e a querer saber mais sobre livros, e até sobre a vida da autora.
                                                                                                                             Francisca D., 6.º A
Eu apreciei bastante a forma como a escritora falava com os alunos, porque conseguiu cativar o seu público. Gostei também das histórias que a escritora nos contou, especialmente a da menina que a inspirou para escrever a obra “Bicicleta à Chuva”, foi a que me tocou mais.
Acho que o encontro foi muito importante para percebermos que, muitas vezes, as obras mais tristes são inspiradas em histórias verdadeiras, e que há sempre uma solução para os nossos problemas.
Gabriela A., 6.ºA

Gostei muito do encontro, porque a escritora é muito cómica e cativa a plateia.
Achei muito útil as técnicas de escrita que nos ensinou (como usar o “s” e o “z” em algumas palavras). Também apreciei a forma como a escritora comunicava connosco.
Para mim, o encontro foi de grande importância, uma oportunidade única, porque fica uma recordação para a vida.
Valéria F., 6.ºA
Gostei do encontro com Margarida Fonseca Santos, porque aprendi muito com as suas respostas às nossas perguntas. Deu-me a conhecer a vida de uma escritora, e o trabalho que é ser escritora.
Também gostei do modo simpático com falou e da história que nos contou, sobre um rapaz e uma bruxa.
Pensava que ia ser um bocado aborrecido, pois com tantos alunos a fazerem perguntas tínhamos que esperar pela nossa vez, mas não foi nada disso, porque a autora, a cada pergunta feita, contava uma história que tinha acontecido com ela, mas relacionada com a pergunta.
Para mim, foi o melhor encontro que tive com uma escritora!
Daniela A., 6.ºA
Fui à biblioteca escolar para um encontro com a escritora Margarida Fonseca Santos. Fiquei logo interessada na história divertida que ela nos contou, no início. Achei um encontro fantástico!
                A escritora é muito simpática e estabeleceu uma relação de amizade com o seu público. Foi muito engraçado verificar que ela compreende a idade e os problemas por que estamos a passar!
Gostei do que contou ao longo do encontro, mas registei estas duas frases: “Como devem perceber eu não ando aqui a dar lições de moral!” ; “ Vocês devem imaginar a minha felicidade quando ganhei o meu primeiro comboio, eu só tinha bonecas e não me dava muito bem com elas, eu usava-as para lhes cortar o cabelo e os meus pais não achavam muita graça a isso!”.
Adorei, espero que venham mais escritores como a Margarida Fonseca Santos, pois eu fiquei muito impressionada e animada, fez-me entender mais sobre a vida de um escritor!
Mafalda B., 6.º A
Gostei da atividade com a escritora. Foi divertida, pois a autora fez-nos rir e tentou sempre nos animar. Uma das situações de que mais gostei, foi quando a escritora nos contou que tinha ido a uma escola, que um menino a elogiou e ela começou a chorar. O menino, entristecido, disse que pensava que estava a dizer uma coisa boa.
Este encontro foi importante, pois Margarida Fonseca Santos sugeriu-nos livros que podemos ler, quando estamos sem ideias!
Carolina A., 6.º A

Concurso Ortografia é comigo!

Resultados da prova de abril:



Concurso Nacional de Leitura 2017


Realizou-se em Ponte da Barca, no dia 2 de maio, a final distrital da 11ª edição do Concurso Nacional de Leitura.Os seis alunos selecionados para esta fase do concurso: Sara Barreto, Cíntia Matos e Inês Ribeiro (3º ciclo) e António Oliveira, Henrique Pereira e Inês Ribeiro (Ensino Secundário) representaram o nosso agrupamento. Todos se empenharam, com particular destaque para o António Oliveira, que foi um dos três apurados do distrito para a finalíssima oral. Foi um dos melhores resultados alguma vez conseguidos pelos alunos do concelho de Caminha. Parabéns a todos!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Encontro com um autor: entrevista a Margarida Fonseca Santos



Encontro com a escritora Margarida Fonseca Santos

A anunciar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor que se celebra a 23 de abril, realizou-se na Biblioteca Escolar da Escola Básica e Secundária do Vale do Âncora um encontro com a escritora Margarida Maria Fonseca Santos, a 21 de abril. Todas as turmas do 6.º ano estiveram presentes para conhecer melhor esta autora e as suas obras de literatura infanto-juvenil, que os alunos foram descobrindo nas aulas de Português, como por exemplo, «7x25 Histórias da Liberdade», «Bicicleta à Chuva», «Está nas tuas mãos» e a coleção «7 Irmãos», escrita em parceria com Maria João Lopo de Carvalho. A disponibilidade da autora e a sua simpatia permitiram estabelecer um diálogo caloroso e enriquecedor com os seus leitores.

Guilherme L. -  O que sonhava ser quando era criança?
Margarida Fonseca Santos (M. F. S.) - Sonhava ser professora, porque tinha uma grande paixão pelo ensino.

João D. - Quando andava no segundo ciclo gostava da disciplina de Português?
M. F. S. - Sim, pois tinha jeito para a escrita, lia muito, mas não ligava muito a essas minhas capacidades.
Jéssica M. - Que género de livros lia quando tinha a nossa idade?
M. F. S.: Na altura, não existiam muitas obras para crianças. Das que eram publicadas, as que preferia eram as aventuras da autora Enid Blyton, a coleção “Os Cinco”.

Cláudio R. /Sandro B. /Patrícia S. - Estudou Piano e foi professora de Formação Musical. Qual o motivo que a levou a substituir a música pela escrita?
M. F. S. - Vi-me obrigada a abandonar a música por razões de saúde que não me permitiam tocar piano, dar aulas práticas, mas não gostava de dar aulas teóricas. Naquela época, contava imensas histórias aos meus filhos, e uma amiga ouviu algumas delas e disse-me que não as podia perder. Decidi, então, dedicar-me à escrita.  A partir daí, não desisti até que as minhas histórias fossem publicadas.

Fernando C.  - Com que idade escreveu o seu primeiro livro?
M. F. S. - Escrevi o meu primeiro livro com 33 anos, mas só foi publicado dois anos depois.

Bruno C. - Gosta mais de escrever livros para crianças ou adolescentes? Quais são as diferenças da escrita?
M. F. S. – Não há grandes diferenças. Também escrevo para adultos, e aí é muito diferente: sinto-me mais à vontade, porque são pessoas da minha idade. Para jovens, sinto que a minha responsabilidade é maior, ainda estão a “crescer”.

Carolina A. - Enquanto está a escrever, partilha as suas histórias com alguém para pedir conselhos?
M. F. S. - Quando acabo, sim, peço ajuda ao meu marido, pois é sincero e dá-me bons conselhos que costumo respeitar. Porém, enquanto escrevo, não, porque gosto de estar concentrada no meu trabalho.

Carina S. - Qual foi o livro que lhe deu mais prazer a escrever e porquê?
M. F. S. – Não posso falar de “prazer”, mas aquele com que mantenho uma relação especial é «Bicicleta à chuva», porque foi inspirado num facto real. O tema da história é o “bullying” e surgiu, quando numa visita a uma escola, uma menina esperou por mim no fim do encontro como este e desabafou comigo. Contou-me que estava muito angustiada, porque a mãe e o irmão mais novo, de três anos, sofria violências constantes por parte do pai. Esta situação deixou-me sensibilizada e decidi abordar esse problema, alterando um pouco os factos, numa obra seguinte, tentando ajudar jovens leitores com situações parecidas.

Mafalda B. - As suas obras têm títulos invulgares. Como lhe surgem? 
M. F. S. - Não tenho jeito nenhum para isso, por isso costumo pedir ajuda à minha grande amiga escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, com quem partilhei a escrita de algumas histórias, como “Um pombo chamado Colombo” e “A escritora vem à minha escola”. A Teresa inventa títulos com muita facilidade, basta eu lhe falar de algumas ideias da obra e logo faz-me propostas irresistíveis.

Maria M. - Já escreveu livros com outros escritores ou escritoras? Prefere escrever sozinha ou com outros escritores?
M. F. S. – Já escrevi em parceria com Elsa Serra (Quero ser escritor), Maria João Lopo de Carvalho (7 Irmãos) e Maria Teresa Maia Gonzalez. Gostei muito destas experiências de partilha: destas parcerias nasceram grandes amizades. Temos de ouvir as opiniões dos outros e, por vezes, temos de fazer cedências, Apesar de gostar muito de escrever com outros escritores e de aprender muito com eles, prefiro escrever sozinha, porque assim, a qualquer momento, posso mudar a história toda.
Inês R. - Na coleção “7 Irmãos”, porque é que todos os irmãos têm nomes começados por “M”? 
M. F. S. - Se a escritora Maria João Lopo de Carvalho, com quem escrevo essa série, estivesse aqui, diria que era porque gostamos de “M&M’S”, mas não é por isso Quando procuramos nomes para as personagens, constatamos que há mais nomes começados por “m” do que outra letra, foi mais fácil. E os nossos próprios nomes também começam por “m”… 

Simão S. - Lemos nas aulas de Português o conto « Eu, o lápis azul» da obra «7x25 Histórias de Liberdade» que é sobre a Revolução do 25 de Abril de 1974. Há histórias sobre outros símbolos desse momento histórico. Porque é que não escreveu sobre o cravo, que é o símbolo da Revolução?
 M. F. S. - Eu não escrevi sobre o Cravo de Abril porque no livro «7x25 Histórias de Liberdade», escolhi pôr a falar a espingarda dos militares revolucionários, não como um símbolo da morte, mas como um símbolo da Revolução, da democracia. Pois, colocaram cravos nos canos das espingardas, assim a arma já não servia para matar, mas sim para festejar a Liberdade.

Rúben P. – Lembra-se de algum episódio do 25 de Abril de 1974?

M. F. S. – Não, exatamente do dia 25 de Abril: ficamos fechados em casa, porque na rádio os militares tinham pedido às pessoas para não saírem à rua. Mas lembro-me do encontro do meu pai com uma prima, que tinha sido presa e torturada pela PIDE e, quando o meu pai a quis abraçar, ela, instintivamente, recuou como se a fosse magoar. É uma imagem que nunca vou esquecer. Outro momento de que me lembro, tinha então 13 anos, foi o regresso à escola, um dia ou dois depois. Já fomos sem batas – porque antes o uso da bata era obrigatório – e as raparigas, que tinham de vestir saias abaixo do joelho, enrolaram a cintura e assim transformaram-nas em minissaias. Foram momentos emocionantes, de liberdade, organizava-se associações de estudantes, andávamos em reuniões. Mas também me lembro que, quando chegamos à escola, verificamos que nem todos os que lá trabalhavam concordavam com a Revolução e que queriam manter a ditadura. Não eram muitos, mas isso surpreendeu-me.
Tatiana S. – Escreveu “7x25 Histórias da Liberdade” e “7x1910 Histórias da República”. Para si, qual é a importância de escrever sobre a História de Portugal para crianças?
M. F. S. – Conhecer a História do nosso país é fundamental e fico encantada quando as crianças aprendem de forma divertida. Fico muito feliz quando os professores leem as minhas histórias nas suas aulas e despertam assim o interesse dos seus alunos por acontecimentos importantes da nossa História.

Daniela A. - Qual é a sensação de ver uma obra sua numa livraria, à disposição do leitor?  
M. F. S. – É algo de emocionante. Um dia, estava no metro e vi um senhor, sentado mesmo à minha frente, a ler um dos meus livros para adultos, “ Uma pedra sobre o rio”. Fiquei muito atrapalhada - com medo que me reconhecesse - mas também muito emocionada. Queria saber o que estava a achar da obra, hesitei, mas não tive coragem de lhe perguntar. Na estação seguinte, foi-se embora sem dar conta de mim…

Rânia - Gosta de vir às escolas apresentar as suas obras?
M. F. S. - Para mim, é um prazer apresentar as minhas obras em todas as escolas. Mas prefiro apresentá-las nas escolas onde os alunos conhecem os meus livros, onde os professores abordam com eles as histórias que escrevo. Agrada-me estar aqui, no Norte, pois vejo-vos empenhados e interessados no que tenho para vos dizer.

Alunos do 6.º A, B, D